Painel 17

O FALSO JUDEU, DE FACTO, OLIVIER DE LA MARCHE

O FALSO JUDEU, DE FACTO, OLIVIER DE LA MARCHE — Painel 17
O FALSO JUDEU, DE FACTO, OLIVIER DE LA MARCHE — Painel 17
O FALSO JUDEU, DE FACTO, OLIVIER DE LA MARCHE — Painel 17

O desenho original correspondia exactamente a uma cruz aspada, ou de Santo André, divisa heráldica da Casa de Borgonha, como Garcês Teixeira provou, em primeira mão, em 1945. Escreveu então:

“Sabe-se que essa estrela, que hoje tem seis pernas com simetria

imperfeita, tinha, antes do último restauro, oito pernas, tendo-se então verificado que as duas tiradas não eram da primitiva pintura. A radiografia agora tirada, que me foi amavelmente facultada pelo Sr. Director do Museu de Arte Antiga (assim como a fotografia do conjunto dos painéis), mostra que as duas pernas verticais também não são da pintura primitiva, que se resume, como se vê da radiografia, a uma aspa, que deve ser simplesmente a Cruz da Borgonha.”.

O FALSO JUDEU, DE FACTO, OLIVIER DE LA MARCHE — Painel 17
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Além disso, a dimensão da “estrela de seis pontas” original era muito superior àquela consignada nas Ordenações Afonsinas, o que permite inferir que não se tratava do símbolo discriminatório que os judeus eram obrigados a ostentar.

Já no que concerne à leitura do livro em latim se ela fosse uma fantasia do Dr. Belard da Fonseca, como teria ele encontrado um trecho coerente, lógico e claro fazendo referência a um acontecimento histórico inteiramente relacionado com os conhecimentos de Olivier de La Marche sobre as consequências de Alfarrobeira e, ainda por cima, evocando a intervenção milagrosa de Santo António?

Na página direita do livro, publicada no primeiro volume da sua obra, lê-se o seguinte, após a tradução do latim:

1ª coluna: “O Cardeal Jaime, filho do Infante D. Pedro de Portugal, rogou a Santo António que ao corpo de seu pai fosse feita sepultura na Igreja de Santa Maria”

2ª coluna: “Santo António fez virtuosa e piíssima a sua santa vida, para que os sagrados ossos do Infante D. Pedro de Portugal fossem sepultados na Igreja de Santa Maria, no mês de Julho de 1455”.

No quarto volume, Belard da Fonseca consegue apenas, e só parcialmente, interpretar a coluna da direita da folha dobrada, onde lê:

na 4ª linha o nome latino de Jean Jouffroy, sob a forma de J. YOFRIDI, e, no início da 5ª linha, CANI, ou seja, a parte final da palavra latina DECANI, isto é deão.

O FALSO JUDEU, DE FACTO, OLIVIER DE LA MARCHE — Painel 17
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J. Y O F R I D I

Registe-se ainda o significativo pormenor de o dedo indicador da mão direita do retratado estar precisamente entre aquelas duas linhas (4ª e 5ª) como que a sinalizar o local onde se encontra o dito nome.