Exposição

O Políptico das Janelas Verdes

Uma viagem ao passado através da arte, da história e da descoberta.

Painéis centrais do Políptico das Janelas Verdes — a figura dúplice, com o livro e a vara

Painéis centrais — a figura dúplice, nimbada, com o livro e a vara, manifestada em ambos os lados do eixo.

A tese central
Não é “São Vicente”.

É o Políptico das Janelas Verdes — o lugar onde fisicamente está. O título interroga sem responder, e é precisamente esse o ponto de partida desta mostra.

O propósito

O Imperador dos Últimos Dias e o Fim da História

É propósito desta mostra reavaliar um dos mais fascinantes e controvertidos temas da história e da cultura nacionais, desde o seu resgate do olvido, pela mão de Monsenhor Alfredo Elviro dos Santos, no Paço Patriarcal de São Vicente de Fora, no ano de 1882.

Trata-se, é óbvio, do — assim crismado por Jaime Cortesão, na década de 1950 — Políptico da Investidura da Nação na Missão do Espírito Santo, vulgarmente denominado Políptico das Janelas Verdes.

Programa de inauguração

10 de Junho 2026

  • Apresentação17H00
  • Inauguração17H30
  • Cocktail18H30
Patente de 10 Junho — 10 Dezembro 2026
A assembleia

Cinquenta e oito personagens em torno de uma figura misteriosa

Os seis painéis que compõem o Políptico iconografam 58 personagens, representativas das Cortes Portuguesa e Borgonhesa e dos vários extratos das respectivas sociedades do século XV, reunidas numa assembleia monumental e solene. Dispõem-se em torno de uma figura misteriosa, dúplice (2), nimbada, paramentada com uma dalmática vermelha e ostentando atributos complementares, manifestada em ambos os painéis centrais.

O Políptico obedece a uma rigorosa simetria, com trinta figuras (17 + 13) de cada lado do eixo vertical central, distribuídas por três painéis — um grande e dois menores.

Estrutura material

Seis painéis, simetria rigorosa

Sessenta figuras (30 + 30) em torno do eixo vertical central. O eixo horizontal divide cada grupo de 30 em 17 e 13.

30 figuras30 figuras
6
7
17
17
8
5
3
3
11
11
4
2
3
4
6
6
4
3
.
34
26
17 + 13 de cada lado · total60
Investigação e restauro

O que a ciência revelou

As mais recentes campanhas de restauro, conservação e investigação científica trouxeram novos olhares sobre uma das obras mais enigmáticas da arte portuguesa.

Dendrocronologia

Pintado a óleo e têmpera sobre 25 pranchas de madeira de carvalho do Báltico. A análise do último anel de crescimento, realizada em 2002, revelou um intervalo de 48 anos (1383–1431).

Radiografia

Revela uma camada anterior por baixo do visível: a pintura que hoje vemos rectifica uma composição prévia.

Quatro restauros

Quando, em 1909, Luciano Freire reintegrou o Políptico, este já fora objecto de quatro intervenções ao longo dos séculos — alguém o teve à sua guarda e o manteve à vista, providenciando os cuidados necessários.

A autoria

Creditada a Nuno Gonçalves

Logo em 1910, e com base nas vagas informações de Francisco de Holanda, José de Figueiredo equacionou o problema da autoria do Políptico. À sua tese foram imediatamente apontadas fragilidades, decorrentes do desconhecimento de documentos só mais tarde revelados, bem como da inexistência das perícias empreendidas apenas em finais do século XX.

A autoria dos painéis foi creditada a Nuno Gonçalves com base na interpretação de um monograma detectado na bota da figura ajoelhada no Painel do Infante, revelado durante um restauro da pintura na década de 1930, e que se admitiu ser coincidente com outras assinaturas utilizadas pelo mesmo artista em documentos e obras contemporâneas.

Almada Negreiros
O melhor documento esteve sempre à vista publicamente, no único elemento existente do todo da obra: as seis tábuas.
Um autor, ao transmitir mensagem — é o caso do autor do Políptico — não pode deixar de “se importar” com a maneira justa de a fazer comunicar.

Almada Negreiros

Leituras da figura central

Leituras complementares, não rivais

Ao longo de décadas, a identidade da figura dúplice recebeu interpretações sucessivas — não rivais, mas complementares.

Jaime Cortesão

1965

Investidura da Nação na Missão do Espírito Santo

O nome que se fixou — a nação investida na Missão do Espírito Santo.

José Luís Conceição Silva

1981

Arauto da Era do Espírito Santo

A figura que anuncia o advento da Era do Espírito Santo.

Manuel J. Gandra

1981

Melquisedeque, Rei e Sacerdote

Rei (poder temporal) e sacerdote (autoridade espiritual), à imagem de Melquisedeque.

Lima de Freitas

1993

515 — Il Messo di Dio

A cifra apocalíptica dantesca — o enviado de Deus.

E se o Políptico mais não for que um libelo heterodoxo, quiçá herético, cuja mensagem se tornou obsoleta e incompreensível para a memória colectiva a partir de quinhentos? E se encerrar uma profecia concretizável no futuro, e não se reportar a nenhum evento pretérito — Alfarrobeira, Cativeiro e martírio do Infante Santo?

Curadoria

Professor Manuel J. Gandra

Mais do que uma exposição, uma evocação da identidade profunda de Portugal — a essência de uma nação que é mais do que aparenta ser.

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