Painel 6

DESTINO DO POLÍPTICO

É inequívoco o registo de Pereira Pestana: na época a que se refere surgiram na capela-mor da Sé de Lisboa quatro pinturas do lado do Evangelho, junto aos túmulos de D. Afonso IV e de D. Brites: os painéis que hoje conhecemos como dos Frades e dos Cavaleiros e no lado da Epístola, junto ao altar de S. Vicente, os do Infante e do Arcebispo. Infere-se da sua insistência em destacar estas tábuas que eram, não só uma novidade no local, mas também e, simultaneamente, dignas de ser admiradas.

Convém recordar que as imagens, colocadas junto dos túmulos de D. Afonso IV e de sua mulher D. Brites, referidas por Pereira Pestana não podem ser confundidas com as esculturas que decoravam estas sepulturas porque, segundo a descrição de D. Rodrigo da Cunha (História Eclesiástica da Igreja de Lisboa, 1642), o túmulo de D. Afonso IV apresentava esculpidas nas suas faces apenas cenas do martírio de S. Vicente.

Em suma: a permanência do Políptico junto do Retábulo de São Vicente limitou-se, assim, a apenas cerca de trinta e nove anos (1531-1570). Doravante, nenhum documento se reportaria ao Políptico, que só voltaria a ser observado em 1882 aquando da sua redescoberta no mosteiro de S. Vicente de Fora.

Capela-mor da igreja dos Cavaleiros da Torre e Espada – Marquês de Jácome Correia (1926)

Convento dos Lóios, ou de S. João Evangelista, de Xabregas – Henrique Loureiro (1927)

Capela do Fundador da Batalha – Almada Negreiros

A tese que Almada Negreiros divulgou na década de 1950, em resultado dos estudos que até então empreendera, advogava que toda a obra atribuída a Nuno Gonçalves provinha de um único retábulo formado por 15 painéis, projectado para a Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha.

Almada não assistiu já ao desmoronar da sua tese, quando as análises dendrocronológicas efectuadas ao Ecce Homo, tábua central do retábulo, como o concebia, demonstraram que fora pintado cerca de uma centúria depois do Políptico.

Capela Real de S. Miguel do Paço da Alcáçova de Lisboa (2 trípticos) - Clemente Baeta (2012)

Paço dos Estaus? – Clemente Baeta (2022)